Page 26 - Anexo do Boletim da APE N.º 275
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Vivemos a primeira comemoração do 25 de Abril que se celebrou em 1975, numa parada militar sem
igual por ter sido a primeira dedicada ao dia da revolução. A parada militar de grande envergadura
ocorreu no parque Eduardo VII e os discursos foram longos, provocando alguns desmaios nas nossas
fileiras, mas ainda assim, em menor número que nas fileiras dos carneiros, com quem nhamos o pri‐
vilégio de comper e o gozo de os superar, nem que fosse numa qualquer compeção: nós nhamos
de vencer sempre a carneirada. Quando caía um, alguém dizia em voz baixa mas audível, 1 a 0, 2 a 0 e
2 a 1 por aí fora. No final o Pilão ganhava.
Aos fins-de-semana éramos brindados com uma acvidade lúdica: munidos de pequenas enxadas lim‐
pávamos o jardim da palmeira, supervisionados pelo saudoso Tenente Barreto, que se encarregava de
fazer o recrutamento junto dos mais novos.
Também havia recrutamento levado a cabo pelo nosso colega mais velho o 272 Santos, de alcunha
“Sacristão”, que envida esforços para angariar quórum para a missa da noite, ou para rezar o terço.
Quando não havia voluntários ele lá se encarregava de os recrutar nas fileiras dos mais novos, o que
até não era mau, porque sempre podíamos comer umas hósas e beber o vinho do capelão.
Aos domingos havia a tradicional guarda de honra, que era maioritariamente assegurada pelos infeli‐
zes que só iam a casa nas férias e assim nham a oportunidade de prestar serviços aos mais afortuna‐
dos que iam passar o fim-de-semana a casa. Obviamente o serviço prestado era pago em géneros, tais
como os “comes” que os afortunados traziam de casa ou a cedência de alguns lanches durante a se‐
mana, e em alguns casos extremos pagos em dinheiro. Eram as leis de mercado a funcionar dentro
das paredes do Pilão.
A nossa primeira celebração do 25 de Maio, foi no ano de 1975, o ano do PREC – o Processo Revoluci‐
onário em Curso. Esta celebração foi singular e ficou na memória pelo 25 de Maio com os muros pin‐
tados com frases de protesto reaccionárias muito caracteríscas da época que se vivia, revolucionária
e muito conturbada. Às 7h da manhã acordámos com os muros da parada inferior, então de cor ama‐
rela, pintados com frases de protesto a preto em tamanho garrafal, completamente visível e de fronte
para a tribuna dos convidados de Honra. De imediato o oficial de dia organizou uma task force, cons‐
tuída por “taratas” para pintar de amarelo as frases pintadas a preto, numa tentava de esconder o
protesto, pois a tarefa era urgente e imperiosa. Às 9H começavam a chegar os convidados de honra,
os militares e as famílias. O muro lá foi pintado a tempo e aparentemente o escândalo parecia estar
sanado, mas eis que no decurso da cerimónia, com a nta a começar a secar, começam a surgir à vista
de todos de forma muito legível as indesejadas frases de protesto. A tentava de as esconder foi em
vão. O ambiente estava tenso e houve alguma confusão no final da cerimónia com um dos alunos per‐
filado com o protesto, que se apoderou do microfone e discursou durante alguns breves momentos
até o silenciarem rerando-lhe o microfone.
Mas recordemos também o 25 de Maio o dia de aniversário da nossa casa bela e ridente. O 25 de
Maio era o dia mais importante da Instuição, recordá-lo é antes de mais recordar um conjunto de
acvidades que todos os anos se repeam neste dia fesvo, para celebrar a data de aniversário e que
aqui recordo:
- O dia começava com um pequeno-almoço reforçado, porque era necessário ter muita energia para
um dia pleno de acvidades sicas. Para além do habitual pão, manteiga e murta, serviam ovos mexi‐
dos e flocos acompanhados de leite com cacau em vez do habitual leite com café, um luxo só repevel
nos dias fesvos do 25 de Abril e do 25 de Maio.
























































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