Page 29 - Anexo do Boletim da APE N.º 275
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Anexo Digital do Boletim 275
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OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2024
Todos os dias ouvimos falar de pessoas de sucesso, nos jornais, no Facebook, no Linkedin...
Somos pessoas de sucesso?
Eu penso que todos nós filhos de Portugal e desta casa tão bela e ridente o somos, e no final
vou explicar porquê!
E o que dizem os psicólogos, os filósofos, e as pessoas com veneráveis anos, sobre o que é im-
portante na vida?
O que será mais precioso na vida segundo pessoas com muitos anos de vida: por Bronnie
Ware
1. Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo e não a vida que os outros
esperavam de mim
2. Gostaria de não ter trabalhado tanto
3. Queria ter tido a coragem de expressar os meus sentimentos
4. Gostaria de ter mantido contato com meus amigos
5. Gostaria de ter sido mais feliz
Encontrámos no nosso caminho uma modernidade líquida: Zygmunt Bauman
“A lógica do consumo entrou no lugar da lógica da moral, assim, as pessoas passaram a ser for-
temente analisadas, não pelo que elas são, mas pelo que elas compram... e as pessoas passa-
ram a comprar afeto e atenção.”
Na nossa sociedade há uma epidemia da depressão e ansiedade que estará associada ao de-
saparecimento do outro, à diminuição da capacidade de se vincular e amar, à supremacia dos
valores individualistas e à diluição das referências sociais, como a coexistência, a fraternida-
de, o respeito mútuo, entre outros.
Assistimos também ao desaparecimento dos rituais: Byung-Chul Han
“No vazio simbólico, as imagens e as metáforas geradoras de sentido e fundadoras de comuni-
dade que dão estabilidade à vida perdem-se... A depressão não ocorre numa sociedade definida
por rituais”
Nas atuais sociedades existe a tendência pelo individualismo narcísico e o culto pela autentici-
dade. Afirma-se uma hipercomunicação nas redes sociais que se transforma em controlo e vigi-
lância...
Com o desaparecimento dos rituais sociais que pautavam as fases da vida do nascimento à
morte, “que transformam o estar-no-mundo num estar-em-casa”, com cerimónias de celebra-
ção e passagem, perdeu-se o duradouro da vida.
Podemos também subir aos ombros do Luís de Camões
E olhar para a epopeia de “Os Lusíadas”, muito mais que o relato duma viagem, é uma metáfora
para uma jornada do herói que regressa com a consciência ampliada, um herói coletivo o
Povo Português, que nos toca a todos quer queramos quer não...
Primeiro, jovens, há que ir ao mundo, simbolicamente á India, á pimenta e ao Prestes João...



























































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