Page 10 - Boletim APE N.º 279
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UMA REFLEXÃO
A APE E AS REDES SOCIAIS
A leitura do magnífico texto do Luís Conceição (AA 19600272), recuperado no Boletim de abril-junho,
levou-me inevitavelmente a refletir sobre a APE e não só. Uma reflexão feita à luz dos tempos de hoje e
da sua influência sobre duas realidades, próximas, mas não coincidentes; a nossa Associação, a APE, e
a nossa comunidade de antigos alunos dos Pupilos do Exército.
O ponto de partida
Qualquer olhar deitado à comunidade de antigos
alunos dos Pupilos do Exército e a uma parte dessa
comunidade, a nossa APE, deve ter sempre presen-
te que o mundo foi mudando, e muito rapidamente,
nas últimas décadas. A nossa comunidade é consti-
tuída por pessoas que viveram em tempos “diferen-
tes”, mas com um fio contínuo entre esses tempos
e um vínculo a um mínimo comum. Mas devemos
prestar especial atenção às diferenças dos tempos,
para saber como manter e reforçar as ligações entre
quem viveu tempos diferentes em espaços comuns.
Relações entre gerações
Durante muito tempo as relações entre antigos alu-
nos, eram essencialmente centradas no facto de se
ter sido contemporâneo no Instituto. Os relaciona-
mentos entre gerações diferentes, ocorriam sobre-
tudo por questões profissionais, com especial im-
portância no meio militar, em que antigos alunos de
várias gerações se cruzavam nas mesmas unidades
militares.
Redes sociais: a grande transformação
As redes sociais contribuíram fortemente para o re-
forço dos laços na nossa comunidade em geral. A
criação de grupos no Facebook levou a frequentes
interações entre antigos alunos com dezenas de
anos de diferença. Muitas vezes, essas interações
prolongam-se por muitos anos sem que os AA se
conheçam pessoalmente. Noutras vezes, é essa in-
teração on-line que leva a que nos almoços de AA
haja apresentações espontâneas, dizendo, “Eu sou
Fulano, teu amigo no Facebook”.
Vantagens e desvantagens das redes so-
ciais
Como em tudo, as redes sociais trazem vantagens e
desvantagens. Eis, uma pequena reflexão.
Vantagens:
–
Os diversos grupos do Facebook realizam um dos
grandes objetivos da APE que é criar e manter a
ligação entre os AA.
–
Permitem acompanhar a vida da APE e do IPE e
estimulam a partilha de opiniões sobre variadíssi-
mas situações e acontecimentos da APE e IPE.
–
Os grupos de WhatsApp são ótimos para manter o
–
contato entre quem pertenceu à mesma turma ou
atividade. A sua criação deve ser estimulada.
Os AA menos ativos, mas com presença nas redes
sociais, não serão indiferentes aos vários posts e
diálogos existentes entre AA, mantendo-se assim
ligados ao mundo IPE.
Desvantagens:
–
Ao promover com eficácia um dos desígnios da
APE, a ligação entre AA, promove também em al-
guns de nós, a ideia de que a APE não faz falta.
–
Os problemas associados de forma genérica às
redes sociais, imediatismo, exibicionismo, agres-
sividade, também se manifestam na nossa co-
munidade, criando antagonismos, originando até
conflitos pessoais, que têm levado a roturas de
relacionamentos.
–
O poder das emoções, ampliadas por imagens e
discursos impactantes, associa-se ao impulso da
tomada de posição pública, gosto/não gosto, re-
duzindo-o a uma lógica futebolística de os meus
e os teus. Os heróis, dos frequentadores das re-
des sociais (e dos donos dessas redes) são os que
mais postam!
–
É tudo uma questão de tempo para postar e não
de tempo posto ao serviço da reflexão e do deba-
te! Aliás, é mesmo uma lógica promotora da au-
sência de debate e de reflexão, que visa adesões
rápidas e fáceis a ideias vistosas e muitas vezes
vazias, a dinamismos que não são mais do que hi-
peratividade sem foco ou foco pessoal, enfim, ló-
gicas estéreis de grupo.
O desafio para a APE
Os mais novos “migram” para o Instagram e para
o Tik-Tok. Outros limitam-se ao Linkedin ou ao X.
Criam-se assim “bolhas”! E outras redes sociais
aparecerão. Continuará a haver necessidade de, de
uma forma ou outra, congregar toda a comunidade.
As redes sociais são ainda um fenómeno recente.
Há que evidenciar os riscos para a nossa comunida-
de de certas formas de as usar. Conflituosidade, co-
mentários públicos desadequados ao IPE e outras
situações, são desafios que só a APE pode ajudar a
ultrapassar.
Joaquim Oliveira
(AA 19700366)

