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MEMÓRIAS DO INSTITUTO
“O DENTISTA – CONSULTAS GRÁTIS”
No final dos anos 60 do século passado, existia na 2.ª
Secção do Instituto um consultório de Estomatolo-
gia! Como o Dentista tinha falta de clientela, eram no-
meados em Ordem de Serviço, alunos que deveriam,
obrigatoriamente, passar pelo “temível consultório”,
mesmo com o período de aulas a decorrer.
O Dentista, homem pouco comunicativo, na casa
dos seus 50 anos, lá ia fazendo o seu trabalho. O
consultório, já naquela altura, estava bem equipado,
só lhe faltando uma simpática assistente, que pode-
ria tornar o ambiente muito mais acolhedor. O Dou-
tor como “não tinha cão, caçava como o gato”, ou
seja, (trabalhava sozinho)…
Quem aguardava na sala de espera, desesperava só
de ouvir o barulho do motor do compressor e a bro-
ca, fazendo eriçar todos os cabelos que existiam no
corpo humano!
Um dia saiu em sorte na Ordem de Serviço, o nosso
amigo “Lobão” visitar o consultório de Estomatolo-
gia. A cena que se seguiu, foi digna de qualquer rá-
bula humorística, da nossa TV.
– Quem se segue? Perguntou o Dentista com um
sorriso amarelado, provocado pela nicotina dos ci-
garros sem filtro…
O “Lobão” avançou e sentou-se na cadeira destina-
da ao “sacrifício“, após um:
– Bom dia, senhor Doutor.
– Ora vamos lá, abra bem a sua boca! Ordenou o
Doutor.
O “Lobão” obedeceu e lá abriu a boca, enquanto o Den-
tista fazia uma inspeção minuciosa com um pequeno
espelho redondo, dando por vezes pequenas batidas
nos dentes com uma peça metálica. De seguida agar-
rou na broca e ligou o compressor, avançando e debru-
çando-se de novo para a boca do “Lobão”.
Assim que ficou mais perto, num movimento rápido
o “Lobão”, agarrou com ambas as mãos o braço que
“esgrimia” a temível broca perfurante!
Surpreendido pelo inusitado e corajoso gesto, disse:
– Então, não quer arranjar os seus dentes?
– Quero sim, Doutor…
E voltava tudo ao mesmo, mãos apoiadas nos bra-
ços da cadeira, boca aberta, broca a girar, braço do
Dentista a avançar e o “Lobão” a tentar agarrar de
novo o braço, que agora também o Doutor fugia, fa-
zendo fintas no ar, com a broca!
– Então, não quer arranjar os dentes?!
– Quero sim, Doutor...
Não podemos precisar como
terminou a história clínica do
“Lobão”, mas “chumbar den-
tes” a “sangue-frio” nem pen-
sar…
Também não durou muito
tempo no IPE este Serviço de
Estomatologia, para grande
alegria de muitos de nós.
João Pedro
Simas
(AA 19650239)




































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