Page 6 - Boletim APE N.º 279
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PILÃO
APARECIMENTO, SIGNIFICADO
E GRAFIA DO TERMO
Ao longo do tempo, muitos de nós têm-se interro-
gado sobre a origem do termo pilão e de como ele
deve ser grafado.
Reconheço também que ao longo do tempo, já algo
foi publicado nos Boletins da APE na tentativa de
encontrar a origem e a data do seu aparecimento,
todavia os primeiros registos escritos que eviden-
ciam este termo não nos permitem entender o seu
verdadeiro significado nem a sua origem.
Diria até que as primeiras referências escritas data-
das de 1936 e 1937, são demasiado abstratas e me-
tafóricas sem terem qualquer colagem à vida real
da Instituição. São quanto a mim puras divagações,
resultado da inspiração dos autores, sem ficarmos
muito bem a saber se aquilo que escreveram, se re-
fere ao Instituto, aos alunos ou ao sentimento de ser
pilão.
Mesmo as referências feitas ao termo nos finais dos
anos 60, continuam a seguir a mesma lógica meta-
fórica de um sentimento de ser ou estar na vida, mas
nunca definindo a sua origem ou estabelecendo a
sua datação.
Das diversas pesquisas que realizei, quando em ou-
tubro de 2020, publiquei o meu livro Escolhidos a
Dedo, deparei-me com a Lição Inaugural proferida
pelo Prof. António Carlos Dias Correia (AA 19610167),
na qual se relata alguma informação sobre a desco-
dificação do termo: “Lançando mão dos recursos
disponíveis, a ‘Associação dos Pupilos do Exército’,
através de um dos seus enormes vultos, o Eng. Au-
gusto Dias, a completar em breve 92 anos, muitos
deles dedicados ao IMPE e à APE, obtive a infor-
mação esperada: Aquando da fundação, os alunos
eram poucos e o espaço tão grande que resolveram
chamar-lhe Pupilão, o ‘Casarão’ onde viviam os Pu-
pilos. Daí resultou que esses alunos passassem a
ser Pupilões e, por redução, Pilões, designação que
viria a tornar-se extensiva aos ex-alunos”.
Partindo do pressuposto que a informação verbal,
visto não haver nenhum documento escrito, presta-
da pelo Augusto Dias (AA 19290077) é verdadeira, e
não vejo razão nenhuma para que não seja, será líci-
to acreditar que o termo apareceu logo no primeiro
ou nos primeiros anos após a fundação do Instituto,
e terá sido criado pelos alunos, aos quais, pessoal-
mente, chamo de “Pioneiros”.
Se de facto os primeiros 40 alunos que entraram
para o Instituto, em meados de janeiro de 1912, eram
tão poucos em relação às vagas disponibilizadas
para esse ano letivo (150), e as instalações eram tão
grandes para tão poucos alunos, é natural que con-
siderassem o Instituto um enorme Casarão.
Mesmo considerando que no ano letivo seguinte,
de 1912-1913, em finais de outubro de 1912, entra-
ram mais 40 novos alunos, e que o efetivo escolar
passasse a ser constituído por um total de 80 ele-
mentos, mesmo assim, ainda é lícito pensar que as
instalações eram demasiado grandes para um tão
pequeno contingente, mantendo-se válida a ideia de
que viviam num enorme Casarão.
Partindo sempre do princípio, de que é verdadeira
a informação apresentada relativamente ao apareci-
mento do termo pilão, a minha teoria, utilizando uma
sequência lógica, é esta:
CASARÃO DOS PUPILOS
CASARÃO - PUPILÃO - PILÃO
Onde Casarão dos Pupilos significa o Instituto, a
Casa onde residiam os alunos, também eles conhe-
cidos por pupilos, (por isso o Casarão dos Pupilos),
ou como lhe chamavam os primeiros “inquilinos”,
simplesmente o Casarão, segundo o depoimento
que nos foi deixado pelo Augusto Dias. No fundo
estamos a falar apenas da Casa, ou melhor do Ca-
sarão, onde viviam os primeiros alunos do Instituto.
Pupilão, por ser uma Casa muito grande para tão
poucos alunos, e com a analogia feita a um Casarão,
fundiram-se os dois termos (Pupilos + Casarão) ten-
do surgido uma nova designação: o Pupilão.
Reitero a ideia de que neste contexto Pupilão signi-
fica apenas Instituto e não aluno.
Pilão é claramente o diminutivo de Pupilão, surgido
eventualmente por corruptela, no sentido de simpli-
ficar a sua dicção, mas parece-me que este termo
não oferece dúvidas a ninguém.
Se no tempo da fundação, à semelhança do que
acontece atualmente no Instituto, tivessem coloca-
do uma placa toponímica à entrada do internato, eu
imagino-a desta forma:







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