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Esta sequência evolutiva do termo tem, quanto a
mim, toda a lógica, porque como todos nós bem sa-
bemos, os alunos do Instituto têm sido pródigos ao
longo do tempo, na criação de imaginosas alcunhas
e diminutivos, inclusive para dizerem de forma sim-
plificada os números dos alunos.
Por outro lado as placas toponímicas, frequente-
mente realizadas em azulejo, iguais à que hoje se
encontra cravada na parede do internato, usam-se
normalmente para identificar o nome de uma quinta,
de uma casa solarenga ou de uma vivenda, podendo
conter o nome do proprietário do imóvel, mas nor-
malmente não o contém.
Este facto sustenta ainda mais a minha teoria de
que a palavra Pupilão, define o imóvel, ou seja, as
instalações e não o nome do seu proprietário ou in-
quilino, neste caso o aluno.
Em relação à forma como grafamos o termo pilão,
a qual tem essencialmente a ver com a sua origem,
e segundo a minha teoria, estando o termo inicial-
mente ligado às instalações e não ao aluno, é por
esta razão, que escrevo sempre Pilão com inicial
maiúscula quando quero designar o Instituto, assim
como grafo Casa, Escola, Instituição, Estabeleci-
mento Militar de Ensino, Convento de S. Domingos
de Benfica, Olaria de S. Domingos de Benfica...
Quando quero designar um ou mais alunos ou um
ou mais antigos alunos, escrevo pilão com inicial mi-
núscula, assim como escrevo pilões, aluno, alunos,
pupilo, pupilos, antigo aluno, antigos alunos...
Para mim, na grafia de ambas as versões do termo,
conforme anteriormente explicado, as aspas já não
fazem atualmente qualquer sentido, entendendo
também que não devemos usar por deferência a
grafia relativa a alunos ou antigos alunos com inicial
maiúscula, nem concordo que se o fizéssemos, sa-
beríamos claramente a diferença e a qual Pilão nos
estaríamos a referir, se a um aluno, se ao Instituto,
olhando para o contexto onde o termo aparece in-
serido.
BOLETIM 279
OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2025
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Dentro desta minha teoria não há Pilões grafados
com inicial maiúscula, porque Instituto dos Pupilos
do Exército, só há um... o nosso. Não há mais Insti-
tutos dos Pupilos do Exército espalhados por esse
mundo afora para lhes podermos chamar de Pilões.
É evidente que o termo pilão representa muito mais
do que o Instituto e os seus alunos. Representa tam-
bém a forma de estar na vida daqueles que beberam
os valores que foram ministrados no Instituto. Algo
difícil de ser explicado por palavras, reconheço, por-
que depende da forma como cada um de nós viven-
ciou a sua passagem pela Instituição, mas parafra-
seando o Humberto Lopes (AA 19290045):
“… a expressão pilão, constitui um axioma carismá-
tico atribuído – e aceite – a todos os que viveram e
sentiram de forma intensa a filosofia imanente das
raízes com que se alimentou a nossa formação e fez
de nós tudo o que hoje somos.”
Pelo exposto, a placa toponímica que se encontra
cravada no internato, hoje, com o número de alunos
que constituem o Batalhão Escolar, já não repre-
senta propriamente um Casarão, ou seja, uma Casa
demasiado grande para tão poucos alunos. Poderia
por isso ter sido colocada outra em sua substituição,
muito mais abrangente do termo, onde pudéssemos
ver representada a Casa, o aluno, o orgulho e a hon-
ra de termos frequentado o Instituto, no fundo o su-
blime sentimento de ser PILÃO...
Para terminar, direi apenas
que, independentemente da
forma como apareceu e evo-
luiu o termo, da sua datação,
do modo como o grafamos,
da forma como o sentimos,
numa coisa penso que esta-
mos todos de acordo, pelo
menos assim o sinto: “pilão
uma vez, pilão para sempre”.
António
Teixeira Mota
(AA 19720021)

